
A stripper russa desliza em espiral pelo varão ao fundo da pista e leva ao delírio os compatriotas da mesa do lado – doze empresários embalados no ardor do vodka e olhar vidrado no ritmo lento e sensual de ‘Anna’.
É um entre os muitos grupos espalhados pelos mais afamados espaços eróticos de Lisboa e vieram entre os mil elementos da prestigiada comitiva do presidente Putin. Para lá dos milionários negócios do petróleo ou gás, os empresários renderam-se à madrugada de Lisboa .
A casa está longe de encher mas a presença russa nota-se pelos vários pontos da sala. Rostos fechados junto ao balcão e espalhados nas melhores mesas da casa. O Maybe prima pelas profissionais de Leste e distingue-se pelo letreiro que reluz por cima da porta – ‘Show girls’ incendeia o ambiente e apimenta o convívio que se segue nas longas noites da capital portuguesa.
“Estes não são os russos do dia-a-dia” – imigrados em Portugal e que ali afogam mágoas e matam saudades das origens. “Hoje é tudo gente bem posta”, comenta alguém entre dentes e aponta à mesa do canto – homens em pose discreta mas ostentando os fios e relógios de ouro.
As conversas cruzam-se entre o potencial dos investimentos no mercado nacional e as distracções eróticas do momento, companhias de ocasião que vão descruzando as pernas e se debruçam na mesa a apanhar conversas. Informações que poderiam render milhões a muitos e estão ao alcance de três loiras de saias curtas e decotes largos.
‘Anna’ já desfila sem a pouca roupa que trazia e quando se dobra leva os muitos empresários ao rubro. Ouvem-se palmas já depois das 02h00 e alguns pousam o charuto para espreitar o relógio – daí a oito horas começa uma Cimeira União Europeia-Rússia em Mafra. Alguns abandonam, mas a maioria segue as luzes da noite e procura diversão na concorrência.
AS CASAS DE CULTO NO ROTEIRO
O Maybe faz sucesso pela companhia de Leste mas a oferta é vasta: “Alguns também gostam de conhecer as raparigas sul-americanas”. Prova disso eram os muitos grupos de empresários russos espalhados pelos três clássicos Elefante Branco, Gallery ou Night & Day.
“Já na madrugada de ontem (quarta-feira) eles tinham passado por cá”, adianta um dos porteiros, e a romaria continuou ontem entre as ruas Luciano Cordeiro, Conde Redondo e avenida Duque de Loulé, quarteirões de culto nas noites mais quentes da capital.
Preferem vodka e quebram o ar ríspido ao passar das horas, soltando gargalhadas sonoras entre comentários mais obscenos.
“É gente de poucas palavras mas não enganam ninguém”, comenta uma brasileira bem-disposta, e quando entram provocam um corropio entre as raparigas nos corredores. “Claro que são clientes muito especiais e não é todos os dias que vêm aqui – a gente só tem de agradar, cara....”
PORMENORES
A TRADIÇÃO DO VODKA
O vodka fez as preferências dos empresários russos em Lisboa, “pouco dados ao whisky ou à cerveja”, diz um dos funcionários. A tradição mantém-se e “a maioria são pouco simpáticos”, sempre de rosto fechado.
CONVERSAS CRUZADAS
No ‘Maybe’, com raparigas de Leste a comporem a maioria da companhia feminina, os russos falaram de negócios e prazer. Nas outras casas, os diálogos “quase não existem”, brinca uma rapariga, “porque a gente fala português e eles mal falam inglês”.
'TABLE DANCE'
No Maybe podiam assistir-se a alguns ‘table dance’ à distância, danças eróticas personalizadas nos muitos empresários russos estendidos em sofás ao longo das mesas.
Mutuo Sociale aprovado pela autarquia de Alessandria


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A 10 de Julho de 2007, o Schweizerische Volkspartei (Partido Popular Suiço) lançou o abaixo-assinado “para repatriar os criminosos estrangeiros (inciativa sobre o repatriamento)”
Inauguração discreta gerou controvérsia O museu nacional da História da Imigração abriu ontem de forma discreta as portas ao público no Palácio da Porte Dorée em Paris, num momento em que a vida política francesa se encontra dominada pelo debate sobre a emigração. A abertura do museu, uma ideia de Lionel Jospin (PS) posteriormente incorporada ao programa político do anterior Presidente Chirac, fica marcada por uma "boa polémica", porque "significa muita publicidade", segundo declarações ao DN de Jacques Toubon, Presidente do Conselho de Orientação daquela instituição e antigo Ministro da Cultura.

por Miguel Vaz

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Depois de 25 de Junho de 2007 

